Pontuação
A importância da pontuação é tema de gracioso poema russo, escrito para o público infantil, de autoria de Samuil Marchak, vertido para o português por Tatiana Belink, que passamos a transcrever em razão das ricas figuras de linguagem:
“Quem é importante?
Certo dia, num caderno,
Numa página interna,
Deu-se a grande reunião
Dos sinais de pontuação,
Para decidir, no instante,
Qual o que é mais importante.
Chegou correndo, afobadão,
O Ponto de Exclamação,
Bufando, muito excitado,
Entusiasmado ou assustado.
- Socorro!
- Viva!
- Saravá!
- Dá o fora! – sempre a berrar!
E logo, todo sinuoso,
A rebolar-se, entrou, pimpão,
O enxerido e mui curioso
Dom Ponto de Interrogação:
- Quem é?
- Por quê?
- Aonde?
- Quando? – ele só vive perguntando...
E vêm as Vírgulas dengosas,
Muito falantes, muito prosas,
E anunciam: - Nós meninas
Somos as pausas pequeninas,
Que, pelas frases espalhadas,
São sempre tão solicitadas!
Mas já chegam os Dois-Pontos,
Ponto-e-Vírgula, e pronto!
Tem início a discussão,
Que já dá em confusão:
- Sem por cima ter um ponto,
Vírgula é um sinal bem tonto! –
Ponto-e-Vírgula declara,
Arrogante, e fecha a cara.
- Essa não! Tenha paciência! –
Intervêm as Reticências.
- Somos nós as importantes,
Tanto agora como dantes:
Quando falta competência,
Botam logo... Reticências!
Til e Acento Circunflexo,
Numa discussão sem nexo,
Cara a cara, bravos, quase
Se engalfinham. Mas a Crase
Corta a briga, ao declarar:
- Poucos sabem me empregar!
Me respeitem pois bastante,
Já que sou tão importante!
Mas Dois-Pontos protestou:
- Importante eu é que sou!
Eu preparo toda a ação
E a e-nu-me-ra-ção!...
- É aqui que nós entramos!
Nós, as Aspas, e avisamos:
Sem nossa contribuição
No existe citação!
A Cedilha e o Travessão
Já se enfrentam, mas então,
Bem na hora, firme e pronto
Se apresenta o senhor Ponto:
- Importante é o meu sinal.
Basta. Fim. PONTO FINAL.”
TRUBILHANO, Fábio; HENRIQUES, Antônio. Linguagem Jurídica e Argumentação: Teoria e Prática. São Paulo: Atlas, 2010, p. 27-29.
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terça-feira, 8 de março de 2011
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Linguagem Jurídica e Argumentação
De múltiplas e multifacetadas formas ensina-se que a argumentação se faz presente no correr dos dias. Testemunham-no as páginas dos jornais, as incontáveis ofertas da propaganda no rádio e televisão e o falar quotidiano. Não soa, pois, intempestivo, reafirmar que todo e qualquer texto é argumentativo. O texto jurídico o é de forma peremptória desde que foi plantado em época que se perde no perpassar dos tempos.
Este livro tem, dessarte, tonalidade argumentativa, seja na parte teórica, seja no aspecto prático. Destinada, em primeiro plano, aos jovens acadêmicos, a obra vem revestida de uma roupagem acessível aos neófitos do Direito: clara e simples como convém à linguagem forense, sem deixar de ser agradável.
O texto propõe oferecer aos estudantes de Direito as colunas mestras das letras jurídicas. Assim, a obra aborda comunicação e argumentação, brocardos latinos, vocabulário e gramática do português jurídico, além de percorrer caminhos da linguagem forense. No entanto, não só aos iniciantes interessa, mas sim a todos os cultores do Direito, afinal a linguagem é o instrumento do jurista. E, tal qual o artífice, a qualidade de sua produção depende de quão habilidoso seja no manejo de seu instrumento.
Leitura complementar para a disciplina Português Jurídico/Língua Portuguesa do curso de graduação em Direito. Livro de consulta para profissionais de direito que se dedicam ao estudo da linguagem jurídica e da argumentação.
http://www.editoraatlas.com.br/Atlas/webapp/detalhes_produto.aspx?prd_des_ean13=9788522460021
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